5 Lições para aprender com os All Blacks!

Tenho a humildade de reconhecer que desde que iniciei a construção da ALMA cometi diversos erros. É difícil iniciar algo do zero, não é? Existem diversas variáveis, muitas decisões a serem tomadas ao mesmo tempo, e muitas lições a serem aprendidas, e nem sempre temos todos os recursos a disposição, foi assim no meu caso pelo menos.

Acredito que onde errei menos até agora tem sido na forma de liderar. E sou fascinado pelo tema da liderança. Já compartilhei aqui diversos textos como o do Brad Thorn, que conseguiu transformar o time através da liderança

Acontece que acredito que o primeiro passo, o fundamental para a construção de um grande negócio, uma grande equipe, é de fato dado pelo líder. Muitas vezes o fundador, ou, em alguns outros casos, quando esse não tem a vontade ou aptidão para esse papel, um grande CEO.

Porém, a liderança com suas atitudes criam experiências com os colaboradores, que por sua vez geram crenças que automaticamente influenciam as ações no dia a dia e o fim são os resultados obtidos. Esse processo é um ciclo e os resultados retroalimentam as atitudes e por aí vamos. Consciente ou inconscientemente ao longo do tempo cria-se a cultura da empresa.

É atribuído ao mestre Peter Drucker a frase “Cultura devora a estratégia no almoço”. Apesar de não ser realmente dele, não poderia ser mais verdade essa afirmação, na minha opinião. Ainda como consultor passei por inúmeras grandes empresas e a realidade é apenas uma: A cultura é quem manda no negócio. Pode-se ventilar aos 4 cantos todas as frases de efeito, todo o positivismo, toda a colaboração e tudo o mais que é bacana de se mostrar no mundo corporativo, se tudo isso não se tornam atitudes, não adianta.

Aí surgem os casos como ENRON – que escondeu uma dívida de U$25 bilhões, por 2 anos consecutivos, para que as pessoas continuassem investindo – ou AMBEV – que apesar de todo sucesso financeiro tem diversas denúncias de violação dos direitos humanos e econômicos – , grandes empresas que não valorizam seus clientes e funcionários, e têm uma imagem manchada por conta disso.

Por outro lado e o foco que sempre busco dar, existem vários exemplos positivos e inspiradores MAGAZINE LUIZA, WHOLE FOODS, Southwest Airlines que são reconhecidos pelo atendimento diferenciado, o sentimento de equipe e inovação. Para eles não existe crise!

Como sempre trago os aprendizados que tive no rugby como lições para meus negócios, o maior exemplo que já tive surgiu com a oportunidade de estar muito próximo dos All Blacks. Para ter idéia, o percentual de vitórias dos caras desde 2010 é de 92%! Qualquer empresário, empreendedor ou líder de qualquer corporação gostaria de jogar nesse nível, não?

O que eles ensinam, ou melhor: o que eles praticam foi acompanhado pelo autor James Kerr, que teve acesso aos mais protegidos segredos e escreveu o livro Legacy (ou em português). Nele, James sintetiza 15 lições, pragmáticas e realmente transformadoras para quem deseja se aperfeiçoar como líder.

Curiosidade: você pode estar se perguntando, “Por que 15 lições?” No rugby, um time tem 15 jogadores e todos devem somar suas forças e trabalhar em perfeito conjunto para alcançar os resultados, para vencer! 😉

Acredito fielmente que se aplicado no mundo corporativo estes princípios que aprendi no rugby, você alcançará grandes resultados. Por esse motivo compartilho resumidamente as 5 principais lições do livro:

 

  1. Sweep the Sheds (Varrer os Vestiários)

Ninguém é grande demais para fazer as pequenas coisas que precisam ser feitas

 

Traga essa lição em primeiro lugar pois vai de encontro com o principal ensinamento de liderança que aprendi com Nelson Mandela. Antes de saírem do vestiário ao final de cada partida, todos os jogadores, incluindo as “grandes estrelas”, como Richie McCaw e Dan Carter, vão lá e arrumam todo o lugar. Eles literalmente varrem os vestiários.

Quer exemplo maior do que esse de humildade? Valor essencial a todos os líderes e também é assim nos All Blacks. Os All Blacks acreditam que para alcançar o verdadeiro sucesso é preciso antes de tudo ter os pés plantados bem firmes ao chão.

 

  1. Pass the Ball (Passe a Bola)

Líderes criam líderes

 

A sabedoria dos All Blacks ensina sobre a necessidade do desenvolvimento de líderes e que, para terem o resultado que buscam dentro de campo, o caráter de cada jogador deve ser aperfeiçoado fora dele.

Com isso, a diretoria – head coach, auxiliares e toda a equipe gerencial – transferem a responsabilidade, que muitas vezes é toda abraçada pela gerência, para os jogadores. O resultado disso é que no jogo, o time é composto por 1 capitão e outros 14 líderes dentro de campo.

Existe um termo em inglês, difícil de traduzir, que é accountability, que seria a palavra ideal para expressar a verdadeira responsabilidade assumida por quem assume uma tarefa. E é essa responsabilidade que os gestores precisam aprender a compartilhar e imbuir em suas equipes. Com isso todos passam a se sentir donos do negócio, incluídos como parte importante do time.

 

  1. No Dickheads (Sem Babacas)

Siga a ponta de lança

 

Em Maori, whanau significa “família estendida” e é representada pela ponta de lança (spearhead). Uma ponta de lança precisa sempre ter 3 pontas, mas toda a força deve seguir uma única direção para que seja efetiva. E aí vem o grande dilema de muitas organizações que os All Blacks resolveram sem grandes impasses: eles selecionam os jogadores focando no caráter acima do talento.

Consegue imaginar o que isso significa na prática? Muitos grandes talentos nunca realizarão seu sonho de jogar com a camisa negra dos All Blacks. Se são considerados “babacas” nunca farão parte do time, pois a entrada deles seria prejudicial a whanau, a essa grande família.

Como falei no texto sobre Buy In: BIG WE, little me. Ninguém é maior do que o time e o comprometimento do indivíduo ao esforço do todo fará com que seu negócio/time prospere pela colaboração e confiança.

 

Você está disposto a seguir esse valor e implementar isso no seu time?

 

  1. Embrace Expectations (Abrace Expectativas)

Mire na nuvem mais alta

 

Criar uma cultura que realmente “abrace as expectativas”, que seja inquieta e aceite a responsabilidade de ter que ser melhor a cada dia. Isso estabelece o constante questionamento: como podemos fazer melhor? Continuar seguindo em frente, assumindo riscos e responsabilidades são algumas das habilidades que aprendi no Rugby.

Mirar na nuvem mais alta é um sentimento necessário para quem busca deixar sua marca no mundo, criar para si mesmo ambições extremas, até mesmo irrealistas, e se comparar sempre com as mais altas referências. Assim com certeza terá uma jornada épica e vitoriosa.

 

  1. Ritualise to Actualise (Ritualisar para atualizar)

Criar a Cultura

 

Como comecei falando, o efeito de todas as ações é a cultura gerada. Ela é efeito e se torna causa.

Para fortalecer a cultura dos All Blacks, um fator chave foi a criação de um novo HAKA, o Kapa o Pango. O haka na realidade é um poderoso ritual que reflete, relembra e reforça todas as experiências e crenças do grupo, o que mantém acesa a chama da sua identidade coletiva e propósito. Como nos exemplos que dei (Magazine Luiza, Whole Foods e Southwest Airlines), as empresas de sucesso tema a ALMA da colaboração, abrindo espaço para que as pessoas compartilhem seus medos, suas esperanças e uma profunda confiança entre si.

 

Se faz sentido para você, compartilha comigo seus comentários! E, se você gostou desse, fica de olho que em breve trarei outros 5 segredos dos All Blacks.

Links para comprar o livro:
Amazon brasileira – versão impressa em português
Amazon brasileira – versão ebook Kindle
Amazon americana – pra quem tem conta na Amazon dos Estados Unidos
Amazon brasileira – versão do livro em inglês